A educação do cidadão deve estar inserida ao novo contexto socioeconômico-tecnológico. Não mais na produção manufatureira e sim na informação digitalizada onde o computador e a internet se postam como nova lógica comunicacional. A informação on-line penetra a sociedade como uma rede capilar e ao mesmo tempo como infra-estrutura básica. A escola incluindo a internet estará engajando em um novo tempo de potencialização e aprendizagem de um conteúdo curricular adquirindo assim modos e comportamentos marcados pelas tecnologias informática não mais na dependência dos meios tradicionais. Tais como; rádio, imprensa, televisão. Mas para que haja êxito é necessário um aprendizado prévio por parte do professor que precisará absorver quatro exigências de cibercultura favoráveis à educação cidadã.A mídia clássica teve seu apogeu entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, com o jornal, a fotografia, o cinema, o rádio e a televisão. Que se contenta em fixar, reproduzir e transmitir a mensagem, a qual esta fechada em sua estabilidade material, dependendo do leitor-receptor-espectador a expressão imaginal. Na mídia on-line a mensagem pode ser manipulada, modificada. Imagem, som e texto não tem materialidade fixa, o interagente-operador-participante ao invés de receber a informação ele participa na elaboração do conteúdo da comunicação e na criação de conhecimento. A diferença esta em não apenas interpretar mais ou menos, mas também em organizar e estruturar ao nível da produção.
No hipertexto próprio da tecnologia digital o professor constrói uma rede que define um conjunto de território a explorar. Ele oferece múltiplas informações que potencializam consideravelmente ações que resultam em conhecimento. Estimula o aluno a contribuir com novas informações e a criar e oferecer mais e melhores percursos, participando como co-autor do processo de comunicação e de aprendizagem.
Para potencializar a comunicação e a aprendizagem utilizando interfaces da internet, o professor precisará distinguir “ferramenta” de “interface”. A ferramenta opera com o objeto material e a interface é um objeto virtual. A internet comporta diversas fases onde cada uma reúne um conjunto de elementos de hardware e software possibilitando aos internautas diversos serviços podendo assim integrar várias linguagens (sons, textos, fotografia, vídeo) na tela do computador a partir de clique do mouse em ícones, janelas de comunicações se abrem possibilitando a interatividade do usuário. Algumas das interfaces on-line mais conhecidas são: Chat, Fórum, Lista, Blog, Site e LMS ou AVA. Ambientes ou espaços de encontro, propiciam a criação de comunidades virtuais de aprendizagem, Chat é um espaço on-line de bate-papo síncrono com envio e recepção simultâneos de mensagens textuais e imagéticas. O fórum é um espaço de discussão em grupo, e é assíncrono as participações ficam disponibilizadas a espera de posições argumentativas por parte de alguém da comunidade. Lista reúne uma comunidade virtual por e-mail. Blog é um diário on-line no qual seu responsável publica histórias, notícias, idéias e imagens. Como diário aberto, pode ter autoria coletiva, permitindo a todos publicar ou postar seus textos e imagens como registro da memória de um curso. Site ou sitio, ambiente ou lugar que oferece informações sobre determinada pessoa, empresa, instituição ou evento qual pode disponibilizar textos, imagens, animações gráficas, sons e até vídeos que irão compor propostas de aprendizagem fazendo do mesmo uma extensão da sala de aula presencial. LMS é um ambiente de gestão e construção integradas de informação, comunicação e aprendizagem on-line, tal como o site é na verdade uma hiperinterface reunindo diversas interfaces síncronas e assíncronas integradas. É a sala de aula on-line não restrita à temporalidade do espaço físico.
A internet na escola não é garantia da inserção crítica das novas gerações e dos professores na cibercultura.
O professor pode criar possibilidades, as mais interessantes e diversas. A dinâmica e as potencialidades da interface on-line permitem ao professor superar a prevalência da pedagogia da transmissão, propondo a construção do conhecimento disponibilizando um campo de possibilidade, de caminhos que se abrem quando são acionados pelos aprendizes. Garantindo a possibilidade de significações livres e plurais, e sem perder a coerência com sua opção crítica embutida na proposição construindo assim cidadania em nosso tempo.
Marco Silva - sociólogo, doutor em educação pela USP, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação de Estácio e da Faculdade de UERJ.
marco@msm.com.br www.saladeaulainterativa.pro.br

